ESCRITORA SÃO-MAMEDENSE, PATRÍCIA DANTAS, PARTICIPA DE CONCURSO INTERNACIONAL DE POESIA E FICA ENTRE AS TRINTA MELHORES. CONFIRA:

A escritora São-mamedense Patrícia Dantas ficou na 24ª posição com a poesia “À Revelia, Ele vive com toda a sua Morte

Os cem melhores poemas irão fazer parte e integrar a Cogito Antologia Poética, obra que será lançada em 21 de março de 2014, Dia Internacional da Poesia.

O Concurso teve uma comissão julgadora composta por cinco integrantes e os textos foram julgados obedecendo a critérios de originalidade, criatividade, domínio da linguagem poética e da norma culta da língua.

Confira a Poesia

À revelia, ele vive com toda a sua morte

Ouvi passos no corredor dos meus sonhos
era um morto quase vivo que viria sem palavras
o olhar que trazia era avassalador
Ele o homem no sonho não necessitava de sons
sua voz era de dentro corrompida pela respiração
a vida toda eclipsada pelo olhar etéreo impegável como o vento
tão forte que arrastava meu corpo em movimento

O medo ressoava perto eu tenho alma ofegante
quase tocando a pele suada se confundindo aglomerado como peças montadas
pisando sutilmente na pedra fria rasgando o instinto com fogo ardente
de onde não se esperava ele surgia
na imensidão no espaço na relva no susto do sonho
não sabia que podia se guiar
nem podia dominar a argamassa volátil embaixo dos pés

Derrapante no espaço se aproximou
como uma brisa fria tocou meu cabelo e fez geometrias entre os dedos
cambalearam seus olhos-esmeralda quase choravam acariciando os fios
enterrou seu soluço dentro de si não viera para apreciar tinha pressa
não havia para ele o contentamento das horas estava cansado
balançava a cabeça como quem pensa em não ser mais
como se pode não ser mais? – irritava o monólogo em si

À revelia do mundo jamais se enganou nem em vida
nem quando sabia que existia num tempo e espaço concreto
naquele seu quarto inóspito com algumas revistas exauridas pelo manuseio
tinha um cheiro de festas noitadas sombras e solidão
ouvia sem suspeitas a música que ecoava das paredes do clube vizinho
ele disse uma vez que lera coleções de livros dentro de suas insônias nervosas
traçava as noites em reboliço no travesseiro amarelado pelo suor que escorria

Em sua alma ainda reluzia beleza havia uma história não contada
por medo? Insignificância? Incompreensão?
sua sutil percepção anunciava algo novo que pulsava na alma
fora um detento um fora da lei agora um peregrino
já aguentava a vida de outras formas não soubera viver como pedem
era a viagem sem volta dentro daquele homem que sabia pouco de si
e que desejava ardentemente viver com toda a sua morte?

***


Zé Luiz Mineiro/SãoMamede1

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